Que tipo de alimento estamos oferecendo às nossas crianças? Sobre a importância dos orgânicos na merenda escolar

20 de março de 2017 | Comente!

No início de 2016, o prefeito Fernando Haddad assinou um decreto que regulamenta uma lei que obriga a incorporação de alimentos orgânicos ou de base agroecológica nas merendas das escolas municipais de São Paulo. Entenda o motivo dessa decisão e qual a importância desse tipo de ação, principalmente no Brasil!

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Imagem retirada de Pixabay

Você sabia que o nosso país é o consumidor número um de agrotóxicos no mundo? Discutido por inúmeras organizações de saúde, desde 2008 temos liderado esse ranking preocupante, tornando mais do que necessário um debate com toda a população. Isso sem contar os alimentos processados, que passam por uma alteração genética para atender às demandas de produtividade, chegando até nós com um bocado de agentes químicos.

Por modificarem o funcionamento e estrutura das células, estudos têm revelado que em longo prazo o uso de agrotóxicos e substâncias transgênicas está altamente associado ao desenvolvimento de câncer e outras doenças genéticas. Muitos dos ingredientes pulverizantes usados nas lavouras para conter a disseminação de pragas e desenvolver mais rapidamente as plantações já foram proibidos na maioria dos países, porém ainda circulam no Brasil e são utilizados indiscriminadamente.

Nas escolas públicas brasileiras são servidas 8 bilhões de refeições por ano, razão pela qual é importante discutirmos sobre o tipo de comida servida a bebês, crianças, jovens e adolescentes. Que qualidade tem esse alimento consumido por uma grande parcela dos estudantes brasileiros? Hoje em dia, muitas das comidas servidas nas escolas são feitas com matérias primas fortemente subsidiadas, o que as tornam baratas. Mas qual o preço disso para a sociedade, que tem consumido cada vez mais alimentos repletos de produtos químicos?

Se pensarmos que tudo aquilo que ingerimos interfere diretamente no nosso corpo, a merenda escolar não deve ser vista apenas como uma refeição qualquer. É importante lembrarmos que ela será uma alimentação responsável pelo desenvolvimento das crianças e adolescentes e, por isso, deve ser preparada com qualidade nutritiva, rica em substâncias que permitam um crescimento saudável.

Apostar na presença dos orgânicos nas escolas é uma política que vai muito além do garfo, beneficiando toda uma relação com a natureza e seus processos. Um governo que escolha beneficiar a agroecologia com o devido suporte, fazendo pouco a pouco essa transição para a agricultura orgânica e local, acaba valorizando o trabalho dos pequenos produtores, e não apenas de grandes indústrias. Isso gera alimentos sem tóxicos, sem sementes modificadas, respeita a biodiversidade brasileira, o clima, os recursos hídricos, o espaço e o solo. São propostas que seguem na contramão de grandes produções, mas que podem influir de modo favorável na nossa alimentação.

Parece urgente colocar esse tema em pauta e lutar por merendas de qualidade e acessíveis para estudantes de nosso país. A lei ainda não foi colocada em prática, mas já atua como um ponto de partida para essas reflexões.

Vale ressaltar que também é parte da educação das crianças e adolescentes conhecer melhor sobre os alimentos e suas origens. Conversar com eles sobre a função de cada fruta, verdura, grão, proteína etc. em nosso corpo, sobre os trabalhadores rurais e os responsáveis pela colheita, pelo transporte e preparo, por exemplo, promove um interesse especial por aquilo que está sendo ingerido, instigando ainda um interesse pela cozinha.

E você? O que pensa sobre isso? Compartilhe sua opinião acerca do tema com a gente!

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